{"status":"ok","message-type":"work","message-version":"1.0.0","message":{"indexed":{"date-parts":[[2025,5,14]],"date-time":"2025-05-14T04:25:52Z","timestamp":1747196752406,"version":"3.40.5"},"reference-count":0,"publisher":"Coimbra University Press","issue":"58","license":[{"start":{"date-parts":[[2020,11,5]],"date-time":"2020-11-05T00:00:00Z","timestamp":1604534400000},"content-version":"unspecified","delay-in-days":0,"URL":"http:\/\/creativecommons.org\/licenses\/by\/4.0"}],"content-domain":{"domain":[],"crossmark-restriction":false},"short-container-title":["rfc"],"abstract":"<jats:p>O senso comum d\u00e1-nos motivos para acreditar que a identidade dos seres vivos naturais \u00e9 diferente da identidade dos artefactos. Alegadamente, a identidade dos artefactos est\u00e1 dependente da forma que lhes \u00e9 atribu\u00edda pelos seus criadores e n\u00e3o lhes vem de dentro, n\u00e3o \u00e9 imanente. Digamos que \u00e9 esta a distin\u00e7\u00e3o que, em geral, se presume entre \u201ccorpos vivos organizados\u201d e \u201ccorpos artificiais organizados\u201d. Ao presumir um ato construtivo humano, o corpo organizado artificial recebe de fora o seu princ\u00edpio organizador e o que define o seu uso. As obras de arte contam-se entre estes objetos assim como os instrumentos. No s\u00e9culo XIX, algumas descri\u00e7\u00f5es sobre as manufaturas tinham chegado a uma defini\u00e7\u00e3o de m\u00e1quina como um corpo organizado dotado de mo\u00e7\u00e3o interna, colocando assim o problema do estatuto das m\u00e1quinas entre os artefactos. N\u00e3o se estranha que um dos problemas recorrentes nas discuss\u00f5es filos\u00f3ficas atuais sobre a t\u00e9cnica e a arte seja o do estatuto da depend\u00eancia mental, intencional, dos artefactos. Essas discuss\u00f5es demonstraram que a depend\u00eancia mental n\u00e3o pode ser avaliada sem clarificar a comunica\u00e7\u00e3o. Pode assim objetar-se aos autores exclusivamente preocupados com o tema restrito da intencionalidade da depend\u00eancia mental o esquecimento da orienta\u00e7\u00e3o comunicativa da produ\u00e7\u00e3o, manual ou industrial, e do seu destino social. Com o presente estudo pretende mostrar-se como a heran\u00e7a plat\u00f3nica da mim\u00e9sis, exemplificada com as \u201ctr\u00eas camas\u201d de Rep\u00fablica X, 597 b e ss., embora supondo uma dimens\u00e3o comunit\u00e1ria, restritiva, do fazer t\u00e9cnico, est\u00e1 presente nos pressupostos de algumas vers\u00f5es te\u00f3ricas modernas da t\u00e9cnica, da produ\u00e7\u00e3o industrial e da arte. Clarificam-se as no\u00e7\u00f5es do art\u00edfice como produtor para a comunidade, do artefacto e da m\u00e1quina na ind\u00fastria para identificar os contrastes entre formas hist\u00f3ricas distintas de compreender o fazer t\u00e9cnico e as correspondentes resson\u00e2ncias sem\u00e2nticas e te\u00f3ricas. Seguidamente, caracteriza-se o discurso da cr\u00edtica cultural, representado em alguns textos de Walter Benjamin, Theodor Adorno e Herbert Marcuse, como uma orienta\u00e7\u00e3o te\u00f3rica conservadora frente \u00e0 autonomia da comunica\u00e7\u00e3o na modernidade, \u00e0 expans\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o industrial automatizada segundo diagramas e a sua aplica\u00e7\u00e3o aos produtos da arte. \u00c0 luz de um escrut\u00ednio dos transmorfos da arte modernista, particularmente no DADA, revela-se como a arte explorou as colis\u00f5es morfol\u00f3gicas resultantes da combina\u00e7\u00e3o entre motivos org\u00e2nicos, art\u00edsticos tradicionais e industriais para p\u00f4r a comunica\u00e7\u00e3o no centro do fazer art\u00edstico, desafiar a intencionalidade do autor e potenciar novas situa\u00e7\u00f5es est\u00e9ticas. O alcance das atitudes reativas perante o moderno, que o descrevem como unidimensional e redutor, fica assim limitado. Indo ao encontro das v\u00e1rias dimens\u00f5es da remarca\u00e7\u00e3o do mercantil e do art\u00edstico nos transmorfos da arte conceptual, conclui-se este trabalho com a tese de que a comunica\u00e7\u00e3o art\u00edstica, como sobrecodifica\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios media, tem a faculdade de redimensionar os emissores, destinat\u00e1rios e mensagens, mesmo quando tem lugar em meios de difus\u00e3o estandardizados ou mercantilizados.<\/jats:p>","DOI":"10.14195\/0872-0851_58_3","type":"journal-article","created":{"date-parts":[[2020,11,5]],"date-time":"2020-11-05T12:13:19Z","timestamp":1604578399000},"page":"337-384","source":"Crossref","is-referenced-by-count":0,"title":["Formas tecnol\u00f3gicas e formas da comunica\u00e7\u00e3o nos artefactos e nos media"],"prefix":"10.14195","volume":"29","author":[{"ORCID":"https:\/\/orcid.org\/0000-0002-7958-4410","authenticated-orcid":false,"given":"Edmundo Balsem\u00e3o","family":"Pires","sequence":"first","affiliation":[]}],"member":"5739","published-online":{"date-parts":[[2020,11,5]]},"container-title":["Revista Filos\u00f3fica de Coimbra"],"original-title":[],"link":[{"URL":"https:\/\/impactum-journals.uc.pt\/rfc\/article\/download\/0872-0851_58_3\/6859","content-type":"application\/pdf","content-version":"vor","intended-application":"text-mining"},{"URL":"https:\/\/impactum-journals.uc.pt\/rfc\/article\/download\/0872-0851_58_3\/6859","content-type":"unspecified","content-version":"vor","intended-application":"similarity-checking"}],"deposited":{"date-parts":[[2020,11,5]],"date-time":"2020-11-05T12:13:24Z","timestamp":1604578404000},"score":1,"resource":{"primary":{"URL":"https:\/\/impactum-journals.uc.pt\/rfc\/article\/view\/0872-0851_58_3"}},"subtitle":[],"short-title":[],"issued":{"date-parts":[[2020,11,5]]},"references-count":0,"journal-issue":{"issue":"58","published-online":{"date-parts":[[2020,11,5]]}},"URL":"https:\/\/doi.org\/10.14195\/0872-0851_58_3","relation":{},"ISSN":["2184-7584","0872-0851"],"issn-type":[{"type":"electronic","value":"2184-7584"},{"type":"print","value":"0872-0851"}],"subject":[],"published":{"date-parts":[[2020,11,5]]}}}