{"status":"ok","message-type":"work","message-version":"1.0.0","message":{"indexed":{"date-parts":[[2025,5,14]],"date-time":"2025-05-14T08:13:05Z","timestamp":1747210385726,"version":"3.40.5"},"reference-count":0,"publisher":"U.Porto Press","isbn-type":[{"type":"print","value":"9789897463716"}],"content-domain":{"domain":[],"crossmark-restriction":false},"short-container-title":[],"abstract":"<jats:p>At\u00e9 agora, neste s\u00e9culo, o sector da constru\u00e7\u00e3o na Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica (como s\u00e3o cada vez mais chamados Espanha e Portugal como um todo) tem estado sujeito a fortes tens\u00f5es. Como se sabe, ap\u00f3s os primeiros anos de grande (em certo sentido, poder-se-ia dizer excessivo) crescimento, o sector sofreu as consequ\u00eancias de uma queda profunda do investimento na constru\u00e7\u00e3o.  Em que sentido se pode dizer que o crescimento de um determinado sector, ou da economia como um todo, \u00e9 \u201cexcessivo\u201d? Isso pode acontecer? A resposta \u00e9 que sim, de facto, o crescimento pode ser considerado excessivo quando, cumulativamente ao longo de um conjunto de anos, excede a capacidade do sector em quest\u00e3o ou da economia como um todo. O resultado assume geralmente a forma de um desequil\u00edbrio econ\u00f3mico, refletido numa escalada dos custos de produ\u00e7\u00e3o, dos pre\u00e7os dos ativos e na deteriora\u00e7\u00e3o do equil\u00edbrio externo.  Algo semelhante foi o que aconteceu com a crise financeira ocorrida no final de 2008. Esta crise, abrangente e com consequ\u00eancias que continuam a afetar fortemente a estabilidade pol\u00edtica e social de muitos pa\u00edses, teve um impacto especial em Portugal e Espanha. Contudo, n\u00e3o nos devemos enganar: embora a crise financeira tenha sido o que marcou o in\u00edcio dos graves problemas econ\u00f3micos que se sucederam a partir de ent\u00e3o, os desequil\u00edbrios b\u00e1sicos foram gerados nos anos anteriores a 2008, sem que as pol\u00edticas econ\u00f3micas levadas a cabo nesses mesmos anos contribu\u00edram para neutraliz\u00e1-los. Em vez disso, seguiu-se um padr\u00e3o bastante comum: as crises econ\u00f3micas s\u00e3o frequentemente geradas por erros de pol\u00edtica econ\u00f3mica cometidos durante as fases ascendentes dos ciclos econ\u00f3micos. Sem que isso signifique, no caso em apre\u00e7o, fugir \u00e0s responsabilidades do pr\u00f3prio sector.  O sector da constru\u00e7\u00e3o, tanto no subsector da constru\u00e7\u00e3o como no subsector da engenharia civil, foi um dos protagonistas dos anos de forte crescimento, respondendo a uma grande procura de investimento, privado e p\u00fablico, gerada por sua vez devido a um ambiente de baixo interesse taxas, sem precedentes at\u00e9 ent\u00e3o no caso das economias espanhola e portuguesa.  A partir de 2008, a queda do investimento na constru\u00e7\u00e3o foi dram\u00e1tica, agravada, mais recentemente, por novos epis\u00f3dios de crise a partir de 2020, devido \u00e0 pandemia e \u00e0 guerra na Ucr\u00e2nia. Possivelmente, esta queda no investimento, por sua vez, foi excessiva e poder\u00e1 esperar-se uma normaliza\u00e7\u00e3o nos pr\u00f3ximos anos. No entanto, ser\u00e1 dif\u00edcil conseguir uma participa\u00e7\u00e3o do valor acrescentado gerado pelo sector da constru\u00e7\u00e3o no Produto Interno Bruto pr\u00f3xima da dos primeiros anos deste s\u00e9culo.  No entanto, o sector da constru\u00e7\u00e3o continua a ser um sector chave nas economias ib\u00e9ricas, por diversas raz\u00f5es. Em primeiro lugar, \u00e9 um sector de m\u00e3o-de-obra intensiva, em pa\u00edses com uma taxa de desemprego ainda elevada, especialmente no caso de Espanha. Em segundo lugar, existe ainda um d\u00e9fice infraestrutural significativo em algumas regi\u00f5es (e devemos necessariamente destacar aqui a liga\u00e7\u00e3o ferrovi\u00e1ria entre Madrid e Lisboa), bem como no sector da habita\u00e7\u00e3o. E, por \u00faltimo, \u00e9 um setor em que as empresas ib\u00e9ricas t\u00eam demonstrado uma certa vantagem comparativa, colocando-se em alguns casos em posi\u00e7\u00f5es de destaque entre as empresas de constru\u00e7\u00e3o a n\u00edvel mundial. Este \u00faltimo ponto \u00e9 especialmente importante, pois \u00e9 o que tem permitido \u00e0s empresas de constru\u00e7\u00e3o compensar a queda do investimento em constru\u00e7\u00e3o em Espanha e Portugal com um grande aumento da sua atividade internacional.<\/jats:p>","DOI":"10.24840\/978-989-746-371-6","type":"monograph","created":{"date-parts":[[2024,3,22]],"date-time":"2024-03-22T12:23:12Z","timestamp":1711110192000},"source":"Crossref","is-referenced-by-count":0,"title":["O Setor da Constru\u00e7\u00e3o Ib\u00e9rico e o Investimento em Infraestruturas no Contexto Europeu"],"prefix":"10.24840","author":[{"ORCID":"https:\/\/orcid.org\/0000-0001-6367-3278","authenticated-orcid":false,"given":"Antonio","family":"Galera","sequence":"first","affiliation":[]},{"ORCID":"https:\/\/orcid.org\/0000-0001-8335-0898","authenticated-orcid":false,"given":"Hip\u00f3lito","family":"Sousa","sequence":"additional","affiliation":[]}],"member":"10468","published-online":{"date-parts":[[2024,3,22]]},"container-title":[],"original-title":[],"deposited":{"date-parts":[[2024,3,22]],"date-time":"2024-03-22T12:23:27Z","timestamp":1711110207000},"score":1,"resource":{"primary":{"URL":"https:\/\/books.fe.up.pt\/index.php\/feup\/catalog\/book\/978-989-746-371-6"}},"subtitle":[],"short-title":[],"issued":{"date-parts":[[2024,3,22]]},"ISBN":["9789897463716"],"references-count":0,"URL":"https:\/\/doi.org\/10.24840\/978-989-746-371-6","relation":{},"subject":[],"published":{"date-parts":[[2024,3,22]]}}}