{"status":"ok","message-type":"work","message-version":"1.0.0","message":{"indexed":{"date-parts":[[2022,4,2]],"date-time":"2022-04-02T19:32:28Z","timestamp":1648927948492},"reference-count":0,"publisher":"Programa de Pos-Graduacao em Letras Vernaculas - PPGLEV","issue":"1","license":[{"start":{"date-parts":[[2017,6,7]],"date-time":"2017-06-07T00:00:00Z","timestamp":1496793600000},"content-version":"unspecified","delay-in-days":0,"URL":"http:\/\/creativecommons.org\/licenses\/by-nc\/4.0"}],"content-domain":{"domain":[],"crossmark-restriction":false},"short-container-title":["Metamorfoses"],"abstract":"<jats:p>Ciente da duplicidade do pacto que selamos com a terra, a ret\u00f3rica do alongamento desenvolvida por Ana Blau, a jornalista catal\u00e3 \u201cem processo de catarse p\u00f3s-retirada\u201d (Coelho, 2012: 127) de Le\u00f3n Lannone, o amigo desaparecido, produz um efeito de anacr\u00f3nica deriva\u00e7\u00e3o de sentido -- porque Ana escreve \u201cpara que a hist\u00f3ria comece\u201d (Ibidem: 11), mas tamb\u00e9m \u201cpara acabar com a hist\u00f3ria\u201d (Ibidem: 11), como quem lan\u00e7a terra sobre um nome que morreu, sabendo, todavia, que \u00e9 ainda \u00e0 terra que imputamos o segredo da involunt\u00e1ria germina\u00e7\u00e3o. Morte e vida, noite e dia, porque, se a noite roda, tamb\u00e9m a morte gira sobre o seu pr\u00f3prio fim, resgatando do fundo da treva a luz salv\u00edfica da escrita, do entendimento e de uma mem\u00f3ria afinal incorrupt\u00edvel. Assim, o romance E a noite roda, de Alexandra Lucas Coelho, n\u00e3o \u00e9 apenas uma l\u00e1pide com um nome gravado em cima, mas um buraco negro cavado na terra pela dolorida arg\u00facia de Ana, num susto cont\u00ednuo de pedra e sangue. No vasto sil\u00eancio dos anos, Le\u00f3n jaz morto mas n\u00e3o arrefece, est\u00e1 surpreendentemente vivo na cal mordente da escrita, no ouro entorpecido da mem\u00f3ria -- finitude e\u00a0imortalidade, como na m\u00edtica li\u00e7\u00e3o de Gilgamesh que, em forma de expl\u00edcita convocat\u00f3ria ao leitor (ou ao pr\u00f3prio amante em fuga) a narradora evoca noin\u00edcio do texto: \u201cesquece a morte e segue-me\u201d (Ibidem: 11). Enquanto leitores, s\u00f3 nos resta seguir o fio transl\u00facido desta escrita poderosa, vibr\u00e1til no seu quase descarnamento porque sa\u00edda do m\u00fasculo mais atento da alma, sem nenhuma concess\u00e3o ao excesso a fazer perigar o aprumo das costuras.<\/jats:p>","DOI":"10.35520\/metamorfoses.2017.v14n1a10543","type":"journal-article","created":{"date-parts":[[2019,7,23]],"date-time":"2019-07-23T03:03:41Z","timestamp":1563851021000},"page":"66-78","source":"Crossref","is-referenced-by-count":0,"title":["E a noite roda, de Alexandra Lucas Coelho: o problema da habita\u00e7\u00e3o"],"prefix":"10.35520","volume":"14","author":[{"given":"Isabel Cristina","family":"Rodrigues","sequence":"first","affiliation":[]}],"member":"21115","published-online":{"date-parts":[[2017,6,7]]},"container-title":["Metamorfoses - Revista de Estudos Liter\u00e1rios Luso-Afro-Brasileiros"],"original-title":[],"link":[{"URL":"https:\/\/revistas.ufrj.br\/index.php\/metamorfoses\/article\/viewFile\/10543\/7843","content-type":"application\/pdf","content-version":"vor","intended-application":"text-mining"},{"URL":"https:\/\/revistas.ufrj.br\/index.php\/metamorfoses\/article\/viewFile\/10543\/7843","content-type":"unspecified","content-version":"vor","intended-application":"similarity-checking"}],"deposited":{"date-parts":[[2019,7,23]],"date-time":"2019-07-23T03:04:21Z","timestamp":1563851061000},"score":1,"resource":{"primary":{"URL":"https:\/\/revistas.ufrj.br\/index.php\/metamorfoses\/article\/view\/10543"}},"subtitle":[],"short-title":[],"issued":{"date-parts":[[2017,6,7]]},"references-count":0,"journal-issue":{"issue":"1","published-online":{"date-parts":[[2017,6,7]]}},"URL":"https:\/\/doi.org\/10.35520\/metamorfoses.2017.v14n1a10543","relation":{},"ISSN":["0875-019X"],"issn-type":[{"value":"0875-019X","type":"print"}],"subject":[],"published":{"date-parts":[[2017,6,7]]}}}